Travessa do Alecrim, 4 (à Rua do Alecrim - Cais do Sodré)
Telefone: 21 322 53 68
Voltei ontem ao Alecrim às Flores para escrever esta prosa. Simpatizo com este restaurante, mas a viagem de ontem não correu pelo melhor, mas não foi nenhuma catástrofe. Porém, uma coisa permanece igual: mantém-se uma conta demasiado pesada para o que se tem. Ainda assim gosto.
Passo a explicar e para não ir buscar dados à memória vou fazer o que tenho feito, recorro-me da última refeição. Ontem marchou primeiro um gaspacho à andaluza muito simpático, que poderia estar um pouco mais grosso. Veio em dose generosa, bem acompanhado dos verdes e salsicharia da tradição. Daqui nada a apontar de negativo. Provei ainda de entrada uns folhadinhos de queijo de cabra com doce de framboesa, bem gostosos, que só não percebi o que faziam no prato as meias rodelas de limão.
O prato já marchou menos bem... Mandei vir magret de pato com mel e figos. A coisa prometia, mas saldou-se em desilusão. A carnicha não era gostosa, há que melhorar o aprovisionamento, o mel estava pouco notório, os figos eclipsaram-se e nenhuma maravilha de paladar se projectou na boca conforme se prometera na leitura da ementa. Este prato não merece repetição. A minha companhia pediu um bacalhau assado que, constou-me, veio salgado. Pode ter sido uma noite menos conseguida. Já lá tenho vivido noites felizes.
Para sobremesa veio uma encharcada de ovos. Estava doce e competente. Sem deslumbramento nem assombro nem nada de negativo que a possa manchar.
A casa é pequena e servida por um número considerável, face à dimensão, de empregados. Porém, ontem andaram um pouco distraídos, deixando o cinzeiro na mesa toda a refeição a acumular-se de pontas de cigarro da «chaminé» que me fez companhia no repasto, além dumas desatenções menores com o serviço do vinho, levado para longe. No entanto, os empregados são de uma enorme educação, correcção e préstimo. O espaço é agradável, conservador com alguns toques de alguma modernidade e aproveitamento da alvenaria do edifício. É agradável sem deslumbre. É um lugar descomplicado.
Embora tenha apontado alguns pontos menos conseguidos, reconheço que se trataram, provavelmente, de lapsos. Mas o espaço tem pontos verdadeiramente negativos. Um deles é o vinho. A carta é curta, limitada, muito centrada numa gama média-baixa e com preços absurdos. Por exemplo, o vinho Pegos Claros está a ser vendido a 15 euros, a Quinta de Cabriz Reserva a 25 euros e a Quinta da Pellada Touriga Nacional a 50 euros. Contudo, o vinho é servido a uma temperatura incorrecta, o que demonstra o pouco respeito que se tem pelo produto e o decantador não merece crédito. No vinho há tudo a melhorar.
O outro ponto negativo é a aritmética. Um jantar com tudo o que ele implica ronda os 50 euros por pessoa. Um número que me parece excessivo. Julgo que a conta se deveria aproximar dos 40. A conta ali dá sempre um valor excessivo e em grande parte da culpa é do vinho, que está ultra-carregado. Contudo, gosto do espaço, dos pratos e de ali ir. Hei-de lá voltar.
1 comentário:
Caro João,
Aqui temos uma (a primeira?) discordância. Não gosto nada dessa casa: cara e sem comida a preceito.
Forte abraço,
N.
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